Empresária suspeita de movimentar R$ 45 milhões em esquema de migração ilegal para os EUA é solta
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Justiça solta empresária suspeita de liderar esquema de imigração ilegal para os EUA
A empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, que foi presa suspeita de envolvimento em um dos grupos de migração ilegal para os Estados Unidos, foi solta após ficar mais de 24 horas detida, em Goiânia. A mulher é investigada por ter coordenado o esquema ilegal por cerca de 20 anos e movimentar em torno de R$ 45 milhões.
Em nota, a defesa de Maria Helena diz que a revogação da prisão preventiva é o reconhecimento da “desnecessidade” da medida extrema. Os advogados pedem respeito à presunção da inocência.
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De acordo com a decisão, Maria teve a prisão preventiva revogada e está em liberdade provisória. Ela terá que cumprir medidas cautelares, entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 90 dias.
Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). De acordo com a Polícia Federal, ele e a esposa dele não são investigados. Em nota, o governador afirmou que os fatos são investigados desde meados dos anos 2000 e não têm relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.
Maria Helena de Sousa Netto Costa, em Goiás
Reprodução/Instagram de Fro Petit
Juliana Rosa Tomé Froes, suspeita de captar clientes, comprar e gerir passagens, hospedagem e cuidar da logística do esquema, havia sido presa e foi solta por conta da determinação, mas também com medida cautelar do uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias.
A defesa de Juliana Rosa Tomé Fróes diz que auxiliar brasileiros a apresentarem-se às autoridades norte-americanas e formalizarem pedido de asilo não configura crime.
Valéria Divina de Macedo, apontada pelas investigações como responsável pela parte financeira e logística do esquema criminoso, deve continuar presa. A defesa dela afirmou que Valéria vai continuar colaborando com as investigações, no limite de seus direitos constitucionais (leia as notas das defesas na íntegra ao fim do texto).
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Até o momento, pelo menos 463 brasileiros foram identificados como clientes da rede criminosa, que envolvia quatro grupos criminosos independentes, mas que compartilhavam fluxos financeiros e logísticos, além de operacionais.
Os quatro suspeitos do esquema de Goiânia que foram alvos da Polícia Federal devem responder pelos crimes de promoção de imigração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Entenda o caso
Maria Helena foi presa suspeita de chefiar um dos grupos envolvidos no esquema, mantendo contato com coiotes e comprando passagens para imigrantes entrarem ilegalmente nos Estados Unidos. Ao todo, os cinco grupos suspeitos movimentaram R$ 240 milhões entre 2018 e 2023, estimou a polícia.
🔎 "Coiotes" são os responsáveis por levar imigrantes ilegalmente através da fronteira do México para os Estados Unidos.
A investigação recebeu autorização da Justiça para realizar a quebra de sigilos telefônicos e bancários de Maria Helena. Foi assim, que encontraram nas contas dela mais de R$ 45 milhões que seriam fruto do esquema.
Em um dos áudios enviados à esposa de um homem que contratou os serviços, Maria Helena
Reprodução/ TV Anhanguera
Maria Helena chegou a dizer em alguns áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais presos no país.
“Os meninos foram presos. Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro...todos que ficam eu tiro. Eu tiro para depois receber, né? Eu quero saber se você quer que eu tiro...que eu já providencio isso”, disse a suspeita, em um dos áudios aos quais a TV Anhanguera teve acesso com exclusividade.
Em outro áudio, Maria Helena diz à esposa de um homem que contratou os serviços de migração que o caminho era o mais seguro
Reprodução/ TV Anhanguera
O áudio se refere à prisão de um homem de Rondônia que contratou os serviços para migração ilegal, chamado Francisco Firmino de Souza Filho. Durante a travessia do México para os Estados Unidos, a empresária chegou a encaminhar mensagens do próprio coiote para a esposa de Francisco.
No Amapá, outros dois chefes que não foram encontrados foram incluídos na lista da Interpol, relatou a PF.
Como funcionava o esquema
As investigações foram realizadas, principalmente, no período de 2018 a 2023. A polícia informou que os grupos atuavam de forma estruturada. Eles são suspeitos de organizar toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil até a passagem por países como México e Panamá, até a chegada aos Estados Unidos.
Segundo a PF, os grupos tinham integrantes em outros estados e também no exterior, que eram responsáveis por:
suporte logístico
recepção de migrantes
intermediação financeira das operações ilícitas
Além disso, as investigações também apontaram o uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar e disfarçar a origem ilícita do dinheiro movimentado.
Defesa de Juliana Rosa
"O advogado Luís Alexandre Rassi, que até o momento patrocinou a defesa de Juliana Rosa Tomé Fróes vem a público para esclarecer, que a conduta tal como narrada pela Polícia Federal não constitui crime.
A imputação parte de premissa juridicamente insustentável. Auxiliar brasileiros a apresentarem-se voluntariamente às autoridades migratórias norte-americanas e ali formalizarem pedido de asilo ou qualquer outra forma de regularização migratória, não configura promoção de migração ilegal.
A submissão espontânea ao sistema migratório do Estado de destino afasta, por sua própria natureza, a clandestinidade que constitui elemento do tipo previsto no artigo 232-A do Código Penal. Apresentado o pedido de asilo, das duas, uma: se deferido, há ingresso regular, autorizado pela autoridade competente; se indeferido, a própria autoridade americana procede à remoção, jamais havendo ingresso ilegal a ser imputado a quem quer que seja.
Em qualquer dos cenários inexiste o substrato fático sobre o qual se ergueria a acusação. Onde não existe entrada ilegal, não há promoção de migração ilegal. E, sem o crime antecedente, ruem por consequência as imputações dele dependentes, inclusive a alegada lavagem de capitais.
Cuida-se, ademais, de matéria cuja definição final compete às autoridades norte-americanas, o que configura prejudicial inafastável a impedir qualquer juízo condenatório precipitado no Brasil.
Tal leitura é, frise-se, a mesma adotada por escritórios de advocacia especializados em direito migratório nos Estados Unidos, com os quais esta defesa manteve interlocução técnica.
A defesa permanece à disposição da imprensa, observado o sigilo profissional e os limites decorrentes do seu desligamento do caso.
Goiânia, 8 de maio de 2026."
Defesa de Maria Helena
"A defesa da Sra. Maria Helena de Souza Netto Costa informa que, conforme já antecipado, foi obtida nesta data a revogação da prisão preventiva anteriormente decretada, restabelecendo-se a liberdade de nossa constituinte, em decisão que reconheceu a desnecessidade da medida extrema.
A defesa reconhece e se tranquiliza com a serenidade do Poder Judiciário e reafirma sua confiança nas instituições. Nossa constituinte seguirá colaborando, no estrito limite de seus direitos constitucionais, para a elucidação dos fatos.
Por oportuno, registramos que serão adotadas as medidas cabíveis para apurar a origem do vazamento seletivo de informações sigilosas ocorridas no presente caso, requerendo-se a competente investigação para responsabilização dos envolvidos, na forma da legislação vigente. Reiteramos o pedido de respeito à presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF) e à intimidade de nossa cliente e de seus familiares. Colocamo-nos a disposição.
Goiânia, 08 de maio de 2026."
Nota do governador Daniel Vilela
"O caso envolvendo a senhora Maria Helena de Souza Costa não tem absolutamente nenhuma relação com o governador Daniel Vilela e com sua mulher, Iara Netto Vilela. São fatos investigados desde meados dos anos 2000, segundo divulgou a própria Polícia Federal, e não envolvem em nenhum momento o governador ou o governo de Goiás."
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